Se eu fechar meus olhos, eu não saberei quem tu es, pois eu
só te conheço dos olhos pra fora.
Se você diz que minha monotonia te cansa. Que o meu cabelo
não te agrada mais. Que parei de fumar e o gosto do cigarro você tem saudade.
Meu bem, olhe fundo aos meus olhos e ouça com atenção “já não se faz bolo de
milho como antigamente”.
Se eu vou pra fora de casa numa noite fria, sem nenhum
agasalho; vou me resfriar. Só pra de manhã acordar mais tarde, ligar pro meu
chefe, e dizer que “o sereno, com certeza, é uma facada”. Ele vai entender.
Vou olhar para os discos de Roberto. Pegar umas cartas
velhas pra tacar fogo nelas, antes de você chegar.
Mas não se assuste. Nem eu mesmo me reconheço quando estou
nessas “ondas”.
Você diz: Espera um pouco, ainda é cedo pra parar. Eu te
respondo, com todo o meu ar de serenidade: You don’t know me...
Você então me olha torto, bate a porta e vai embora. Serei
apenas uma alma cansada, jogada no sofá que olha para o teto e nota: Esse teto
é amarelo, nunca foi branco.