terça-feira, 22 de outubro de 2013

- Eu odeio parede amarela! Antes de eu nascer, o meu pai pintou a parede do meu quarto de amarelo, pois não sabia se eu era menino ou menina. Fiquei com a parede dessa cor até os meus doze anos de idade. Pense o quão traumático era para um garoto de doze anos de idade ter uma parede amarela. Eu até tentava camuflar usando alguns quadrinhos, pôsteres, mas não adiantava... Sempre ficava um amarelão aparecendo.

- E você queria o quê? Parede azul? Nossa... Azul é tão clichê, Fernando!

- Quem disse que era azul? A moda da época era ter parede verde, por causa do Lanterna Verde. Depois veio o The Flash, aí era parede vermelha... Mas eu nunca consegui acompanhar a modinha de parede. Cresci, e resolvi que não tentaria mais isso. Pintei tudo de Gelo!

- Ah, a parede do meu quarto nunca teve pintura assim, mamãe mandava colocar papel de parede. Antes do natal ela sempre trocava o papel de parede do meu quarto e do quarto do meu irmão. Era divertido... A gente ia à loja e escolhia. Meu ultimo papel de parede foi com girassóis.

- Você que escolheu? (franziu a testa)

- Sim, eu mesma!

- Você é tão “preto” que nem em um milhão de anos eu pensaria que você já usou girassóis no seu quarto. Pra mim, você era daquelas meninas que arrancavam a cabeça da boneca.

- Eu até arrancava, mas colocava de volta. Era uma terapia divertida. (Gargalhou)

- Sabia! Você com essa cara de que chupa limão só podia fazer isso mesmo.

- Mas sabe o que é mais divertido nisso tudo? É que você com sua parede amarela e eu com a minha de girassóis, combinamos. Até nas insignificantes paredes, fomos feitos um para o outro.

(Voltaram à observar a cartela de cores de tintas que iriam usar para pintar o apartamento novo) .


Fim.

sábado, 4 de maio de 2013

   Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer não existe razão...

    A Eduarda abriu os olhos mas não quis se levantar, ficou deitada e viu que horas eram. Enquanto Mônica tomava um conhaque noutro canto da cidade como elas disseram...
    Eduarda e Monica um dia se encontram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer, uma guria do cursinho da Eduarda que disse “tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”.
    Festa estranha com gente esquisita, “eu não tô legal, não aguento mais birita”. E a Monica riu e quis saber um pouco mais sobre mocinha que tentava impressionar, e a Eduarda meio tonta só pensava em ir pra casa “é quase duas eu vou me ferrar”.
     Eduarda e Monica trocaram telefone, facebook, e depois tefelonaram e decidiram se encontrar. A Eduarda sugeriu uma lanchonete mas a Monica queria ver o filme do Godard.
    Se encontram então no parque da cidade, a Monica de moto e a Eduarda que era fã do Los Hermanos com a camisa do Camelo. A Eduarda achou estranho, e além de comentar ajudou  Monica limpar a tinta que tava no cabelo.
    Eduarda e Monica eram nada parecidas, ela era de leão e a outra tinha dezesses.
Monica fazia medicina e falava alemão, e Eduarda nos animes japonês. Ela falava sobre coisas do planalto central, também feminismo e adoção. Eduarda ainda estava no esquema de escola, poema, brigas com seu irmão.
    E mesmo com tudo diferente, veio vindo de repente uma vontade de se ver. E as duas se encontravam todo dia e a vontade crescia como tinha de ser.
    Eduarda e Monica fizeram macarrão, fotografia la na casa da Monica e foram viajar. A Monica explicava pra Eduarda coisas sobre o céu, a água e o ar.
    Duda aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e pros pais decidiu contar. E Monica se formou no mesmo mês que Eduarda passou no vestibular.
    E as duas comemoram juntas, mas também brigaram juntas, muitas vezes depois. E todo mundo diz que uma completa a outra, feito PF de feijão com arroz.
    Alugaram um apê há uns dois anos atrás, mais ou menos quando os siameses vieram. Batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram.
      Eduarda e Monica Voltaram pra Brasilia e a nossa amizade da saudade no verão, só que nessas férias não vão viajar porque a gatinha da Eduarda vai ter mais filhotes então.


Eduardo e Mônica - Legião Urbana versão bolachinha. Só porque estou de bom humor. <3

segunda-feira, 15 de abril de 2013


Quero um café pequeno e esse pão na chapa. Aquele lugar me parece bem confortável. Enquanto eu vier aqui, é ali que vou sentar. Hoje bem que poderia chover... Gosto de ver essa vidraça com gotículas d’agua.  Faz-me ser feliz; o café e sua fumaça que me embaça as lentes dos óculos.  Só faltou chover.
Eu não sei seu nome. Mas sempre te vejo aqui. Em todas as vezes você acabava de fumar e entrava pra sentar-se junto aos seus amigos. Garota esquisita. Mas sua esquisitice me passa uma tranquilidade sem tamanho, peso ou profundidade.
Eu que fico aqui tomando meu café, enquanto olho o celular; de vez ou outra sempre olho pra mesa ao lado em que você está. 
Jamais me atrevi olhar diretamente. Mas, hoje, olhei... Vi um sorriso rodeado de batom vermelho. Menina cadê seus cabelos? Ainda bem que não tem. Gosto mil vezes assim, mesmo que nunca tivesse visto ele comprido.
A sua fumaça jogada lá fora, eu sinto aqui dentro.
Para a garota desconhecida, que encontro algumas vezes na Mc Donald’s da Graça; entre 9:40 – 10h. 

domingo, 7 de abril de 2013


Rádio Globo FM, 90.1. Tocava qualquer musica bonitinha. Lenine, Peninha? Não estava prestando a menor atenção. Só sentia que era uma boa musica.
Taximetro rodando. 4:25, 4:75, 7:15. Já perdia o interesse em saber. E cada vez mais a distancia ia tomando conta. A saudade ia tomando conta.
- Quantos beijos são possíveis para que a gente se apaixone? – Perguntei, depois de muito pensar olhando o asfalto que passava depressa.
- Como?! – Me perguntou  o taxista, que possivelmente estava prestando atenção ao radio.
- QUANTOS BEIJOS SÃO POSSIVEIS PARA QUE A GENTE SE APAIXONE? – Falei mais alto dessa vez.
- O taxista meio sem saber o que dizer, olhou o retrovisor e falou – Olha, a sua pergunta me pegou de surpresa. É realmente difícil saber.
- É, é bastante difícil... – Fiquei decepcionada com a falta de resposta, confesso.
Mudamos de assunto. Falamos sobre  CD’s piratas. Lucro de mercado. Pessoas. E já era hora de deixar aquele carro.
- Espero que encontre a resposta que tanto quer – Me falou o taxista ao despedir.
- Também espero – Falei para mim mesma.
Paguei. saí. E ainda seria possivel perguntar a qualquer alma viva que passasse pela rua. Não tinha ninguém. 

sexta-feira, 29 de março de 2013


Se eu fechar meus olhos, eu não saberei quem tu es, pois eu só te conheço dos olhos pra fora.

Se você diz que minha monotonia te cansa. Que o meu cabelo não te agrada mais. Que parei de fumar e o gosto do cigarro você tem saudade. Meu bem, olhe fundo aos meus olhos e ouça com atenção “já não se faz bolo de milho como antigamente”.
Se eu vou pra fora de casa numa noite fria, sem nenhum agasalho; vou me resfriar. Só pra de manhã acordar mais tarde, ligar pro meu chefe, e dizer que “o sereno, com certeza, é uma facada”. Ele vai entender.
Vou olhar para os discos de Roberto. Pegar umas cartas velhas pra tacar fogo nelas, antes de você chegar.
Mas não se assuste. Nem eu mesmo me reconheço quando estou nessas “ondas”.
Você diz: Espera um pouco, ainda é cedo pra parar. Eu te respondo, com todo o meu ar de serenidade: You don’t know me...
Você então me olha torto, bate a porta e vai embora. Serei apenas uma alma cansada, jogada no sofá que olha para o teto e nota: Esse teto é amarelo, nunca foi branco.