segunda-feira, 15 de abril de 2013


Quero um café pequeno e esse pão na chapa. Aquele lugar me parece bem confortável. Enquanto eu vier aqui, é ali que vou sentar. Hoje bem que poderia chover... Gosto de ver essa vidraça com gotículas d’agua.  Faz-me ser feliz; o café e sua fumaça que me embaça as lentes dos óculos.  Só faltou chover.
Eu não sei seu nome. Mas sempre te vejo aqui. Em todas as vezes você acabava de fumar e entrava pra sentar-se junto aos seus amigos. Garota esquisita. Mas sua esquisitice me passa uma tranquilidade sem tamanho, peso ou profundidade.
Eu que fico aqui tomando meu café, enquanto olho o celular; de vez ou outra sempre olho pra mesa ao lado em que você está. 
Jamais me atrevi olhar diretamente. Mas, hoje, olhei... Vi um sorriso rodeado de batom vermelho. Menina cadê seus cabelos? Ainda bem que não tem. Gosto mil vezes assim, mesmo que nunca tivesse visto ele comprido.
A sua fumaça jogada lá fora, eu sinto aqui dentro.
Para a garota desconhecida, que encontro algumas vezes na Mc Donald’s da Graça; entre 9:40 – 10h. 

domingo, 7 de abril de 2013


Rádio Globo FM, 90.1. Tocava qualquer musica bonitinha. Lenine, Peninha? Não estava prestando a menor atenção. Só sentia que era uma boa musica.
Taximetro rodando. 4:25, 4:75, 7:15. Já perdia o interesse em saber. E cada vez mais a distancia ia tomando conta. A saudade ia tomando conta.
- Quantos beijos são possíveis para que a gente se apaixone? – Perguntei, depois de muito pensar olhando o asfalto que passava depressa.
- Como?! – Me perguntou  o taxista, que possivelmente estava prestando atenção ao radio.
- QUANTOS BEIJOS SÃO POSSIVEIS PARA QUE A GENTE SE APAIXONE? – Falei mais alto dessa vez.
- O taxista meio sem saber o que dizer, olhou o retrovisor e falou – Olha, a sua pergunta me pegou de surpresa. É realmente difícil saber.
- É, é bastante difícil... – Fiquei decepcionada com a falta de resposta, confesso.
Mudamos de assunto. Falamos sobre  CD’s piratas. Lucro de mercado. Pessoas. E já era hora de deixar aquele carro.
- Espero que encontre a resposta que tanto quer – Me falou o taxista ao despedir.
- Também espero – Falei para mim mesma.
Paguei. saí. E ainda seria possivel perguntar a qualquer alma viva que passasse pela rua. Não tinha ninguém.