- Eu odeio parede amarela! Antes de eu nascer, o meu pai
pintou a parede do meu quarto de amarelo, pois não sabia se eu era menino ou
menina. Fiquei com a parede dessa cor até os meus doze anos de idade. Pense o
quão traumático era para um garoto de doze anos de idade ter uma parede
amarela. Eu até tentava camuflar usando alguns quadrinhos, pôsteres, mas não
adiantava... Sempre ficava um amarelão aparecendo.
- E você queria o quê? Parede azul? Nossa... Azul é tão
clichê, Fernando!
- Quem disse que era azul? A moda da época era ter parede
verde, por causa do Lanterna Verde. Depois veio o The Flash, aí era parede
vermelha... Mas eu nunca consegui acompanhar a modinha de parede. Cresci, e
resolvi que não tentaria mais isso. Pintei tudo de Gelo!
- Ah, a parede do meu quarto nunca teve pintura assim, mamãe
mandava colocar papel de parede. Antes do natal ela sempre trocava o papel de
parede do meu quarto e do quarto do meu irmão. Era divertido... A gente ia à
loja e escolhia. Meu ultimo papel de parede foi com girassóis.
- Você que escolheu? (franziu a testa)
- Sim, eu mesma!
- Você é tão “preto” que nem em um milhão de anos eu
pensaria que você já usou girassóis no seu quarto. Pra mim, você era daquelas
meninas que arrancavam a cabeça da boneca.
- Eu até arrancava, mas colocava de volta. Era uma terapia
divertida. (Gargalhou)
- Sabia! Você com essa cara de que chupa limão só podia
fazer isso mesmo.
- Mas sabe o que é mais divertido nisso tudo? É que você com
sua parede amarela e eu com a minha de girassóis, combinamos. Até nas
insignificantes paredes, fomos feitos um para o outro.
(Voltaram à observar a cartela de cores de tintas que iriam
usar para pintar o apartamento novo) .
Fim.
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